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Crédito estressado no agronegócio: Uma análise de Felipe Rassi sobre os riscos e recuperação

Nadia Solvika
Por Nadia Solvika 23 de março de 2026 5 Min de leitura
Felipe Rassi
Felipe Rassi
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O empresário Felipe Rassi pontua que o crédito estressado no agronegócio exige uma leitura diferente daquela aplicada a outros setores, porque a inadimplência rural costuma estar ligada a variáveis como clima, preço de commodities, custo financeiro, estrutura de garantias e capacidade real de reorganização do produtor ou da empresa. Esse cenário ganhou ainda mais relevância porque a inadimplência do crédito rural atingiu níveis elevados em 2025, enquanto o mercado passou a acompanhar com mais atenção a deterioração de recebíveis do setor e o avanço de recuperações judiciais no agro.

Contents
O que torna o crédito estressado no agronegócio diferente?Quais riscos merecem mais atenção antes de negociar esse tipo de crédito?Como a recuperação do crédito rural deve ser analisada?Onde podem estar as oportunidades nesse mercado?

Ao mesmo tempo, o agro continua sendo um espaço de grande circulação de crédito, garantias e instrumentos financeiros, o que impede uma leitura simplista segundo a qual todo ativo estressado do setor seria inviável. Em muitos casos, o problema está menos na inexistência de valor e mais na dificuldade de distinguir risco conjuntural, passivo estrutural e capacidade efetiva de recuperação.

O que torna o crédito estressado no agronegócio diferente?

No agronegócio, a deterioração do crédito costuma ser influenciada por fatores que escapam parcialmente ao controle direto do devedor, como frustração de safra, oscilações de mercado, eventos climáticos e pressão sobre custos de produção. Isso faz com que a inadimplência nem sempre signifique colapso definitivo da atividade, embora possa comprometer fortemente a liquidez e a estrutura patrimonial do agente econômico. A CNA destacou que a inadimplência do crédito rural com taxas livres alcançou 11,4% em outubro de 2025.

Na leitura de Felipe Rassi, essa particularidade altera a forma de avaliar o ativo. Em vez de enxergar apenas um crédito inadimplido, o mercado precisa compreender a dinâmica operacional do devedor, a qualidade das garantias, a previsibilidade dos recebíveis e o contexto que levou ao estresse. Em operações rurais, a recuperabilidade depende tanto do contrato quanto do ambiente econômico que cerca a obrigação.

Quais riscos merecem mais atenção antes de negociar esse tipo de crédito?

Os riscos mais sensíveis costumam estar na qualidade das garantias, na concentração de exposição, na fragilidade dos recebíveis e no impacto de recuperações judiciais ou pedidos de prorrogação de dívida. O mercado financeiro reagiu recentemente à deterioração de recebíveis do agronegócio, com reflexos em papéis como CPR, duplicatas e CRA, além de rebaixamentos de rating e aumento de spreads em algumas operações.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

O empresário Felipe Rassi comenta que o problema surge quando a negociação do crédito se apoia apenas no desconto e deixa em segundo plano a análise da estrutura jurídica. Se a garantia for de difícil realização, se os recebíveis estiverem pressionados ou se a cobrança depender de ambiente litigioso mais tenso, o crédito pode carregar um risco muito maior do que o preço inicial sugere.

Como a recuperação do crédito rural deve ser analisada?

A recuperação do crédito no agro não pode ser vista apenas como execução imediata de garantias. Em muitos casos, a efetividade depende de entender se ainda existe capacidade operacional, se a dívida pode ser reorganizada e se a cobrança preserva valor econômico suficiente para tornar a recuperação viável. 

Felipe Rassi frisa que a análise de recuperação precisa combinar documentação, garantias, fluxo de caixa e contexto regulatório. Quando o credor identifica corretamente o que é crise reversível e o que é deterioração estrutural, consegue decidir com mais precisão entre cobrar, renegociar, ceder ou reprecificar o ativo.

Onde podem estar as oportunidades nesse mercado?

As oportunidades aparecem justamente quando o mercado consegue separar desordem aparente de risco administrável. Investidores especializados continuam enxergando espaço em ativos problemáticos porque a inadimplência e as reestruturações ampliam a oferta de créditos com desconto, desde que exista base técnica para sustentar a recuperabilidade.

Conclui-se que o crédito estressado no agronegócio pode ser atrativo quando há garantia útil, leitura jurídica consistente e entendimento real da operação econômica do devedor. O ponto decisivo não é apenas comprar barato, mas identificar quais ativos têm rota plausível de recuperação. Nesse mercado, método costuma valer mais do que impulso, porque preço baixo sem análise profunda pode significar apenas um risco mal compreendido.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Tag:Dr Felipe RassiFelipe Rassi direito empresarialFelipe Rassi gestor jurídicoO que aconteceu com Felipe RassiQuem é Felipe RassiTudo sobre Felipe Rassi
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