Felipe Schroeder dos Anjos, engenheiro ambiental, costuma explicar que proteger uma nascente ou área de recarga hídrica é sempre mais barato do que tratar a água já contaminada rio abaixo, embora essa lógica raramente apareça nas decisões orçamentárias dos municípios brasileiros. O raciocínio parece simples, mas exige mudança de mentalidade em relação a onde e quando investir recursos públicos escassos disponíveis para o setor ambiental, priorizando prevenção em vez de remediação constante dos problemas já instalados nas bacias hidrográficas do território nacional.
Proteger a fonte é mais barato do que tratar depois
Cada etapa adicional de tratamento necessária para remover contaminantes de uma água já poluída representa custo extra de produtos químicos, energia e manutenção de equipamentos, encarecendo a tarifa cobrada de toda a população atendida pelo sistema de abastecimento municipal ao longo dos anos e décadas seguintes de operação da estação de tratamento.
Investir em recuperação de matas ciliares e cercamento de nascentes custa, segundo Felipe Schroeder dos Anjos, uma fração do que seria gasto anualmente em tratamento avançado de água contaminada por esgoto ou defensivos agrícolas na bacia hidrográfica de abastecimento, de acordo com dados de projetos já implementados em diferentes estados brasileiros com sucesso comprovado.
Degradação de mananciais avança em diferentes regiões do país
Expansão agrícola sem respeito a áreas de preservação permanente, desmatamento de matas ciliares e ocupação irregular de nascentes urbanas figuram entre as principais causas de degradação de mananciais em diferentes regiões do país atualmente, comprometendo o abastecimento de milhões de pessoas em diversas cidades brasileiras de pequeno e médio porte espalhadas pelo território nacional.
Felipe Schroeder dos Anjos evidencia que a fiscalização dessas áreas costuma ser insuficiente, já que muitos municípios não têm equipe técnica dedicada a monitorar continuamente o estado de conservação das bacias que abastecem a própria cidade e a região metropolitana ao redor, mesmo diante do crescimento contínuo da demanda por água tratada e de qualidade.
Pagamento por serviços ambientais funciona na prática
Programas que remuneram proprietários rurais por manter vegetação nativa preservada em suas terras têm mostrado resultados positivos em algumas bacias, incentivando financeiramente a conservação em vez de depender apenas de fiscalização e multas aplicadas pelos órgãos ambientais competentes de cada estado da federação, criando alternativa de renda para o produtor rural.

A partir do que demonstra o engenheiro Felipe Schroeder dos Anjos, esse modelo funciona melhor quando o recurso vem diretamente da tarifa de água cobrada na cidade, criando um ciclo evidente entre quem paga pelo serviço e quem protege a fonte que abastece toda a região metropolitana e seus arredores rurais mais distantes e menos assistidos.
Reflorestamento de matas ciliares traz retorno mensurável
Faixas de vegetação nativa ao longo de rios funcionam como filtro natural, retendo sedimentos e parte dos poluentes antes que alcancem o curso d’água principal, reduzindo a turbidez e a necessidade de tratamento químico intensivo depois na estação de tratamento municipal responsável pelo abastecimento de toda a cidade e do entorno rural mais próximo.
Estudos de bacias já recuperadas mostram redução expressiva nos custos de tratamento de água ao longo dos anos seguintes à recomposição florestal, comprovando que o investimento inicial tende a se pagar dentro de poucas décadas de operação contínua da bacia hidrográfica recuperada e monitorada regularmente pelos órgãos ambientais responsáveis.
Qual o papel dos municípios na proteção de mananciais?
Cabe às prefeituras delimitar corretamente áreas de proteção ambiental no plano diretor, fiscalizar ocupações irregulares e articular com proprietários rurais programas de conservação que envolvam toda a bacia hidrográfica de abastecimento da cidade e dos municípios vizinhos que compartilham o mesmo curso d’água ao longo do território, unindo esforços técnicos e financeiros.
Felipe Schroeder dos Anjos reforça que agir de forma isolada, sem cooperação entre municípios de uma mesma bacia, tende a produzir resultados limitados, já que rios e nascentes não respeitam fronteiras administrativas municipais estabelecidas no mapa oficial da região metropolitana ou estadual em que a bacia está inserida.