As marcas próprias passaram a ocupar um espaço mais relevante na avaliação dos consumidores brasileiros. Uma pesquisa com 2.328 pessoas aponta que 60% confiam na qualidade desses produtos, índice equivalente ao registrado pelas marcas nacionais. O resultado indica que a escolha no varejo está menos ligada ao reconhecimento automático de um nome e mais relacionada à percepção de custo, qualidade e benefício.
Os dados foram divulgados pelo E-Commerce Brasil em 26 de outubro de 2026. A pesquisa mostra uma mudança na maneira como o público observa itens vendidos com a identificação do próprio varejista. Em vez de considerar que uma marca tradicional é necessariamente superior, parte dos consumidores passou a analisar o produto disponível e a relação entre o que ele entrega e o preço cobrado.
O que são marcas próprias
Marcas próprias são produtos comercializados com a identidade de uma rede varejista ou de um estabelecimento, em vez de utilizarem uma marca nacional já conhecida do público. Elas podem aparecer em diferentes categorias de consumo e ser encontradas em supermercados, farmácias, lojas de departamento, marketplaces e outros canais de venda.
Na prática, o consumidor pode se deparar com duas alternativas semelhantes na mesma loja: uma de marca tradicional e outra vinculada ao varejista. A comparação não deve considerar apenas o valor exibido na prateleira ou na tela. A quantidade da embalagem, a composição, as informações nutricionais, o fabricante, a validade e as condições de troca ajudam a formar uma análise mais completa.
Essa avaliação também é importante porque produtos da mesma categoria podem ter apresentações diferentes. Uma embalagem maior nem sempre representa o menor custo por unidade, enquanto uma opção mais barata pode não oferecer exatamente a mesma composição ou quantidade. Observar esses dados evita que a decisão seja tomada exclusivamente pela aparência da embalagem ou pelo preço inicial.
Por que a confiança influencia a compra
A confiança é um dos fatores que reduzem a resistência a experimentar um produto menos conhecido. Quando o consumidor reconhece o varejista responsável pela comercialização, a marca própria deixa de ser vista apenas como uma alternativa econômica e passa a disputar espaço pela percepção de qualidade.
O índice de 60% registrado na pesquisa coloca as marcas próprias no mesmo patamar de confiança em qualidade das marcas nacionais. Isso não significa que todos os produtos sejam equivalentes ou que a escolha possa ser feita sem comparação. O dado revela, porém, que a categoria conquistou uma avaliação mais favorável entre os consumidores consultados.
O levantamento também se relaciona a um cenário de decisões de compra mais divididas entre produtos de menor preço e opções premium. Conforme a contextualização apresentada pelo E-Commerce Brasil sobre o Consumer Outlook 2027, o público considera novas ferramentas e diferentes critérios ao decidir o que comprar. Nesse ambiente, a marca própria ganha relevância por combinar a identificação do varejista com uma proposta de valor percebida pelo cliente.
O que observar antes de escolher
Para comparar uma marca própria com uma marca nacional, o primeiro passo é verificar se os produtos têm a mesma finalidade e características próximas. Informações como ingredientes, composição, peso ou volume devem ser lidas diretamente na embalagem ou na descrição do item, especialmente nas compras realizadas pela internet.
Também vale conferir o nome do fabricante, a data de validade e as condições apresentadas pelo vendedor. Em produtos alimentícios, as informações nutricionais podem ser decisivas para quem possui restrições ou busca determinado perfil de consumo. Em itens de higiene, limpeza e uso cotidiano, a composição e o rendimento ajudam a avaliar se o preço menor representa, de fato, uma vantagem.
A reputação do varejista e a clareza das informações disponíveis são outros elementos que contribuem para uma decisão mais segura. No comércio eletrônico, o consumidor deve comparar a descrição do produto, a quantidade enviada e as regras de troca antes de finalizar o pedido. Nas lojas físicas, a leitura do rótulo permite verificar diferenças que nem sempre ficam evidentes na exposição dos produtos.
O avanço da confiança nas marcas próprias não elimina a importância de pesquisar. A pesquisa indica que os consumidores estão mais dispostos a considerar essas opções, mas a melhor escolha continua dependendo da necessidade de cada pessoa e das características concretas do item. Ao analisar qualidade, quantidade, composição e preço em conjunto, o cliente evita reduzir a compra a uma disputa entre marcas conhecidas e desconhecidas.
Com 60% de aprovação da qualidade entre os entrevistados, as marcas próprias deixam de ser apenas uma alternativa associada à economia e passam a integrar a comparação regular feita no varejo brasileiro. Para o consumidor, isso amplia o número de opções disponíveis e torna mais importante observar as informações do produto antes de escolher.