A partir do que apresenta o empresário Wander Aguilera Almeida, o etanol de milho vem crescendo em ritmo de dois dígitos a cada novo ciclo, puxado principalmente por usinas instaladas em Mato Grosso, estado que hoje concentra a maior parte da produção nacional desse biocombustível derivado de cereal, superando a marca de sessenta por cento do total produzido no país. Wander Aguilera Almeida, intermediador no mercado de grãos, acompanha esse movimento como quem vê uma nova porta se abrir para o milho, cultura que por muito tempo dependeu quase exclusivamente da exportação e da ração animal como destino final. Veja ao longo deste artigo por que esse mercado cresce tão rápido e o que ele representa para quem planta milho na próxima temporada.
Um novo comprador que não existia antes
Diferente do etanol de cana, tradicional na matriz energética brasileira, o etanol de milho é produto relativamente recente, fabricado majoritariamente em usinas do Centro-Oeste que processam o cereal colhido na segunda safra, logo após a colheita da soja na mesma propriedade rural.
Assim como sublinha Wander Aguilera Almeida, esse tipo de usina funciona como um comprador permanente, instalado próximo à lavoura, reduzindo o custo de frete que normalmente pesa sobre quem precisa levar o milho até um porto distante para exportação. Para produtores do interior do Centro-Oeste, essa proximidade sozinha já representa economia relevante por saca entregue.
Por que Mato Grosso lidera essa expansão?
O estado já responde por mais da metade de toda a produção nacional de etanol derivado de cereais, posição consolidada pela combinação de grande volume de milho safrinha disponível e investimento contínuo em novas plantas industriais, várias delas anunciadas nos últimos meses e ainda em fase de construção.

Existem hoje dois modelos de usina operando nesse mercado: as chamadas Full, dedicadas exclusivamente ao milho, e as Flex, capazes de alternar entre cana e cereal conforme a disponibilidade e o preço de cada matéria-prima ao longo do ano agrícola.
Essa flexibilidade das usinas Flex funciona como um amortecedor de preço para o produtor, já que a indústria pode migrar a produção para o milho sempre que esse grão estiver mais competitivo do que a cana naquele momento específico, sem depender de uma única matéria-prima o ano inteiro.
O que essa demanda extra representa para o produtor?
Ter um novo comprador relevante próximo à propriedade tende a reduzir a dependência do produtor de milho em relação a poucos destinos tradicionais, como exportação via porto ou venda para grandes integradoras de proteína animal, opções que exigiam frete mais longo e negociação mais concentrada em poucas mãos.
Essa diversificação de compradores, tal como avalia o empresário Wander Aguilera Almeida, fortalece o poder de negociação do produtor, já que ele passa a comparar mais de uma proposta antes de decidir, em vez de aceitar o preço oferecido pela única opção disponível na região naquele momento da colheita.
Coprodutos gerados no processo, como o DDG usado na alimentação animal, também abrem outra frente de receita para as usinas, o que ajuda a sustentar o preço pago pelo milho, mesmo em ciclos de oferta mais generosa e menor demanda externa pelo grão em si.
Uma fronteira que ainda está se expandindo
Novas plantas continuam sendo anunciadas no Centro-Oeste, movimento que deve sustentar o crescimento da moagem de milho destinada a etanol nos próximos ciclos, segundo projeções do próprio setor, com previsão de moagem crescendo em ritmo ainda mais acelerado do que nos anos anteriores, à medida que essas plantas entram em operação plena.
Desse modo, Wander Aguilera Almeida destaca que entender essa nova dinâmica de demanda é essencial para qualquer produtor de milho que queira negociar com mais informação, em vez de tratar essa cultura apenas como coadjuvante da soja dentro do calendário da propriedade e da estratégia comercial do ano.