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Crise no Estreito de Ormuz volta a preocupar: frete internacional sobe e pode encarecer as compras online no Brasil

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 23 de junho de 2026 8 Min de leitura
Crise no Estreito de Ormuz volta a preocupar: frete internacional sobe e pode encarecer as compras online no Brasil
Crise no Estreito de Ormuz volta a preocupar: frete internacional sobe e pode encarecer as compras online no Brasil
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Novo fechamento da rota após ataques de Israel no Líbano elevou o custo do contêiner e reaqueceu a dúvida sobre o preço dos produtos importados.

Quem compra em sites internacionais está diante de um novo motivo de cautela. Depois de um acordo de paz assinado em 19 de junho entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, voltou a ser fechado dias depois. O fechamento ocorreu após ataques israelenses no sul do Líbano, que o Irã classificou como uma violação do acordo firmado com os Estados Unidos. O episódio reacende uma dúvida recorrente entre consumidores brasileiros que compram fora do país. Vale a pena continuar fazendo pedidos internacionais agora, ou é melhor esperar a situação se estabilizar? A resposta passa por entender como conflitos geopolíticos distantes conseguem influenciar diretamente o preço final de um produto comprado em um marketplace estrangeiro. O TEMPO

Contents
Novo fechamento da rota após ataques de Israel no Líbano elevou o custo do contêiner e reaqueceu a dúvida sobre o preço dos produtos importados.Por que o Estreito de Ormuz voltou a ficar fechadoComo a tensão no Oriente Médio encarece o frete que chega ao BrasilO que isso significa para quem compra no exterior

Por que o Estreito de Ormuz voltou a ficar fechado

A crise atual tem origem em um conflito que começou em março deste ano. Segundo registros do período, a crise foi deflagrada em 1º de março de 2026, após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que teriam resultado na morte do líder supremo iraniano. Em resposta, o governo iraniano lançou ataques contra bases americanas no Golfo e fechou o estreito à navegação, provocando uma queda abrupta no tráfego de petroleiros e cargueiros pela região. Depois de meses de escalada, as partes chegaram a um entendimento. O fim da guerra foi oficialmente anunciado em 14 de junho de 2026, com um tratado permanente de paz selado cinco dias depois, na Suíça, prevendo a reabertura do estreito e o fim do bloqueio naval americano à região. WikipediaWikipedia

A trégua, porém, durou pouco. Após os ataques israelenses no Líbano, a televisão estatal iraniana informou que o estreito seria fechado à passagem de navios, classificando a ação como resposta ao que considerou descumprimento do acordo pelos Estados Unidos e por Israel. A reabertura do estreito havia sido tratada como condição central do entendimento entre as partes, já que a via conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é responsável por cerca de 20% do petróleo transportado por mar no mundo. Esse vaivém entre cessar-fogo e novas interrupções é justamente o que torna o mercado de frete tão instável nas últimas semanas, já que armadores e seguradoras precisam recalcular riscos quase diariamente. O TEMPO

Como a tensão no Oriente Médio encarece o frete que chega ao Brasil

O reflexo dessa instabilidade já apareceu nos índices que medem o custo do transporte marítimo internacional. Em junho de 2026, o Índice Mundial de Contêineres da consultoria Drewry subiu cerca de 23% em um único mês, alcançando valores próximos de 3.400 dólares por contêiner de 40 pés, um patamar que reflete diretamente os choques recentes de oferta e demanda no transporte global. Esse tipo de alta não fica restrito às rotas que passam pelo Oriente Médio. Quando companhias marítimas precisam desviar embarcações ou reforçar seguros para evitar áreas de risco, o custo extra costuma se espalhar por outras rotas, incluindo aquelas que ligam a Ásia ao Brasil, já que os navios e a capacidade de transporte disponível no mundo são compartilhados entre diferentes corredores comerciais. Guelcos

Esse padrão já havia sido observado em crises anteriores na mesma região. Durante os ataques dos houthis ao Mar Vermelho, o conflito chegou a encarecer o frete marítimo em até 121%, afetando diretamente produtos que circulam entre a Ásia e o restante do mundo, incluindo o Brasil. A diferença, agora, é que a tensão se concentra em uma rota ainda mais estratégica para o fornecimento global de energia, o que tende a pressionar também o custo do combustível usado pelos navios, outro componente importante na formação do preço final do frete. Para o consumidor brasileiro que compra produtos importados, o efeito chega de forma indireta, mas real, encarecendo o transporte mesmo de mercadorias que não passam fisicamente pela região em conflito. CNN Brasil

O que isso significa para quem compra no exterior

A boa notícia é que parte da tributação sobre compras internacionais ficou mais favorável recentemente. Desde 13 de maio de 2026, o governo zerou a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares feitas por pessoas físicas, restando apenas o ICMS estadual, que varia de 17% a 20% conforme o estado de destino. O problema é que essa vantagem tributária pode ser parcialmente neutralizada pelo aumento no custo do frete, já que o valor do transporte entra na base de cálculo dos impostos aduaneiros. Isso ocorre porque o imposto incide sobre o valor aduaneiro, que soma o preço do produto, o frete e o seguro, de modo que um frete mais caro também eleva proporcionalmente o valor final pago em tributos. SantanderNomad Global

Para quem ainda pretende comprar fora do país nas próximas semanas, vale simular o custo total antes de finalizar o pedido, levando em conta o valor do produto somado ao frete informado no checkout. Optar por lojas certificadas no Programa Remessa Conforme costuma facilitar a liberação da encomenda e oferece mais transparência sobre os tributos cobrados no momento da compra. Consolidar pedidos em uma única remessa, em vez de fazer várias compras pequenas, também ajuda a diluir o custo fixo do frete internacional, que tende a pesar mais em pedidos de menor valor.

O conflito no Oriente Médio segue em um momento delicado, com cessar-fogos firmados e quebrados em poucos dias, o que torna difícil prever com precisão por quanto tempo o frete internacional vai continuar pressionado. Para o consumidor brasileiro, a recomendação prática é acompanhar o noticiário sobre a região antes de fazer compras de maior valor no exterior e sempre confirmar o custo total, incluindo impostos e frete, antes de fechar o carrinho. Pequenos ajustes de comportamento, como esperar a entrega de pedidos já feitos e evitar acumular novas compras em meio à instabilidade, ajudam a reduzir o impacto financeiro até que a situação se estabilize.

Fontes consultadas:

  • https://www.otempo.com.br/mundo/2026/6/20/ira-fecha-estreito-de-ormuz-apos-ataques-israelenses-e-ameaca-mais-medidas-que-violam-acordo-de-paz
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_do_Estreito_de_Ormuz_em_2026
  • https://guelcos.com.br/conteudo/importacao/frete-da-china-para-o-brasil/
  • https://www.santander.com.br/blog/taxacao-produtos-importados
  • https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/conflito-no-mar-vermelho-encarece-frete-maritimo-em-121-veja-o-que-pode-ficar-mais-caro-no-brasil/

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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