A recomendação de reduzir sal costuma ser tratada como regra universal de saúde, válida da mesma forma para qualquer pessoa, mas Lucas Peralles, nutricionista esportivo e especialista em comportamento alimentar, alude que a ciência mais recente mostra um retrato bem mais individualizado dessa relação. Nem todo mundo responde da mesma maneira ao consumo de sódio, e entender essa variação muda completamente a forma de orientar cada paciente.
Um estudo publicado na JAMA em 2023 comparou diretamente o efeito de dietas ricas e pobres em sódio na mesma pessoa, identificando que a chamada sensibilidade ao sal, ou seja, a magnitude da resposta da pressão arterial ao consumo de sódio, é semelhante entre pessoas normotensas e hipertensas, mas varia enormemente de indivíduo para indivíduo dentro de cada grupo. Diante desse achado, Lucas Peralles reforça que tratar a restrição de sódio como recomendação genérica ignora diferenças biológicas reais entre pacientes.
Por que algumas pessoas são muito mais sensíveis ao sal do que outras?
Pesquisas mostram que aproximadamente um terço dos indivíduos saudáveis, e mais da metade das pessoas com hipertensão, apresentam resposta exagerada da pressão arterial ao consumo elevado de sódio, sendo classificados como sensíveis ao sal, enquanto o restante da população demonstra variação muito menor diante da mesma quantidade consumida. Lucas Peralles reflete que essa distinção ajuda a explicar por que algumas pessoas reduzem drasticamente o sal da dieta sem perceber qualquer mudança perceptível na pressão arterial, enquanto outras notam diferença significativa mesmo com ajustes moderados.
Estudos recentes têm investigado os mecanismos renais e vasculares por trás dessa sensibilidade individual, incluindo o papel de transportadores específicos no rim e a resposta do sistema nervoso simpático ao excesso de sódio circulante. Na avaliação do especialista em comportamento alimentar, esse tipo de descoberta reforça que a genética e a fisiologia individual de cada paciente merecem peso real na orientação nutricional, e não apenas recomendações padronizadas aplicadas indistintamente a toda a população.
Existe um ponto a partir do qual reduzir sódio deixa de fazer diferença?
Uma revisão recente que analisou a relação entre consumo de sódio e pressão arterial identificou padrão de resposta linear a partir de consumo diário abaixo de oitocentos miligramas, com redução consistente da pressão arterial conforme o sódio diminui até chegar a níveis abaixo de dois gramas por dia. Isso significa que, na prática, reduzir sódio traz benefício mensurável para a maior parte da população, mesmo que a magnitude exata desse benefício varie conforme a sensibilidade individual discutida anteriormente.

Conforme explica Lucas Peralles, esse dado reforça que a recomendação geral de moderar o consumo de sódio continua válida como orientação de saúde pública, mesmo que a intensidade da resposta individual seja variável. Dentro da Clínica Peralles, essa nuance é explicada aos pacientes justamente para calibrar expectativas: reduzir sal provavelmente ajuda, mas o quanto ajuda depende de fatores que só um acompanhamento individualizado consegue identificar com precisão ao longo do tempo.
O potássio também entra nessa equação, ou o foco deve ser só no sódio?
Estudos mostram que aumentar a ingestão de potássio, presente em vegetais, frutas e leguminosas, ajuda a equilibrar o efeito do sódio sobre a pressão arterial, favorecendo maior excreção renal de sódio e relaxamento da parede dos vasos sanguíneos. Esse mecanismo sugere que a proporção entre sódio e potássio na dieta pode ser tão relevante quanto a quantidade absoluta de sal consumida isoladamente.
Esse detalhe, frequentemente ignorado nas conversas populares sobre sal, demonstra por que dietas ricas em vegetais e pobres em ultraprocessados tendem a favorecer melhor controle da pressão arterial, mesmo quando o consumo absoluto de sódio não é drasticamente reduzido. Como fundador do Método LP, Lucas Peralles menciona que essa é mais uma evidência de que a alimentação deveria ser avaliada como sistema completo, e não através de um único nutriente isolado do restante do contexto nutricional.
Como aplicar esse conhecimento de forma prática e individualizada?
Reconhecer que a sensibilidade ao sal varia entre indivíduos não significa abandonar a moderação no consumo de sódio, mas sim compreender que a resposta pessoal a essa mudança pode ser mais ou menos perceptível dependendo do perfil biológico de cada um. Isso reforça a importância de acompanhar a pressão arterial ao longo do tempo, e não apenas assumir que qualquer redução de sal produzirá o mesmo efeito para todas as pessoas.
Portanto, de acordo com Lucas Peralles, entender que recomendações nutricionais gerais precisam ser ajustadas à resposta real de cada paciente é o que diferencia um acompanhamento nutricional sério de orientações genéricas replicadas sem qualquer adaptação individual, um princípio sempre presente nas avaliações conduzidas na Clínica Peralles.